Zizi, a mosca imaginária
Acompanhe a viagem da mosquinha Zizi, que sabe português (já que vive na UCPel :P) e observa tudo o que vê...
Iiiiiii carrra que barrratooo. Entrrei porr um burraco no vidrro da porrta. Porr dentro os vidrros estão pintados de prreto, e num dos quadrrados há um Z de Zorro virrado, riscado de giz. Zzzzz. Z bacana. SSSSS... Éssssse quadrradooooou _/¨¨_/¨¨_/¨¨_/¨¨
Essa sala é meu templo. Um Z na porta (quem se importa que ele esteja virrado?). Estou me sentindo em casa... Bem-vindo à casa da Ziizii. Hihi.
Uouuu... eu vejo tudo centi iiointenta grrrrauss. Oooou. Corrrres. Muitas corrrress. Verrrrrrde. Verrrrmelho desbotaado. Oh, uma caneta verrde limão... Zuuum. Um vôo rasante. Há um ruído constante. Uma voz? Si si si... Só ouço "si". Ahhh... vozes humanas são tão... disformes. De onde vem esse som? Uou. Não é bom voarr depois de cair num copo de cerrrveja. Estou tonta. Zonza. Pirada. Amalucada. Uou. Hihihi. HIC!
Tá.
Chega de me fingir de bêbada.
Cansei de brincar disso :P
A voz vem do quadro verde. Não! Vem da mesa amarela. Não! Não! Vem do homem de vermelho.
Eiiiiiiiiii. Ah cara, quase que ele me acerta. Não sei se sem querer ou intencional. Escapei por um triz. Vou voar por lugares mais tranqüilos.
Eu sou a sala. A sala sou eu. Confusããão. Lala. O que é aquilo branquinho e fofinho? Oh. AAAARRRGHHHHHH! Pó de giz. Cof cof. Voar. Afastar-se. Afastar-se. Blergh, pousei num apagador. Minhas patas estão uma nheca. Água. Ááaáagua. Pô, ninguém está tomando água nessa sala. Bando de seres desidratados. Opaaaa. Chimarrrrão! É meio quente, mas posso ficar nas beiradas, rondando a térmica, e daí de repente o cara deixa escapar um ou duas gotas para eu lavar minhas patinhas :)
Eu também posso ser uma mosca do mau e largar o pó na cabeça das pessoas. Na cabeça do cara que tá falando não tem grrraça. Ele já tem os cabelos da cor do pó de giz. Arrá! E se eu pousar naquele cabelo vermelho? Um ou dois passinhos, em meia frração de segundo, e já me livro desse pó irritante! Se bem que a menina parece tão compenetrada na aulaaaaaaaaa--- dddddd Ah! Rajada de vento idiota! Alguém entrou (ou saiu da aula, sei lá!) e a baforada de ar foi intensa. Restabelecer o equilíbrio. Um...
Oh, uma lixeira. O vento me largou perto de uma lixeira. Será que não tem uma garrafa d'água ali dentro? Um restinho de ááág-- blergh. Bando de alunos inúteis. DESIDRATADOS! Ninguém bota nada no lixo. Ficam guardando suas lembranças inúteis, num desejo absurdo de que o tempo não passe. A vida é curta. 2 semanas para mim são uma eternidade. Com sorte, consigo viver duas vidas. Se com azar, vivo umas 20. Ainda bem que ninguém aqui teve a idéia sacana de me matar. Hi hi hi. Ho ho ho. Cara, minha asma. Hic hic. Não posso rir. Hi hi hi. O cara de vermelho está rindo. Todos rindo. Que som horrendo. Ahhh. Parem, PAREM. Não universidade não se ri! Aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhh!
Hm, que aula é esta? Será que diz algo no quadro? AaAaAAAaaa CCCooooonnnnnsssss tê tttttttt T truuuuuuuuu çSçSÇÇçSs ã na ooo dddddddddd D aaa Iiihh dddentiii ddddd daaa dddddd e emmmm Mmmmmooo oooo raaaaaa áu.. lll A Construção da Identidade Moral? Pô, o assunto é sério. Porque riem? Canalhas. Bastardos. Todos fingem que estão aprendendo, o professor finge que está ensinando, enquanto eu finjo que estou procurando uma saída, finjo estar sem rumo, indo de um lado ao outro, sem a mínima intenção de sair. Eu vejo todos. Eu sinto o cheiro de tudo. Ah. Passei perto de uma pasta e uma menina de cabelo vermelho mexeu no zíper. Estou surda. Aaaah! Um carro velozzzzzzzzzzz. Ah hhh Ahhh. Retumbou em meus ouvidos. Ruídos. Voz constante. Poxa, que aula monótona. Tudo parece mais interessante que a voz do professor. Ele fala, fala, fala, fala. Fala, fala, fala, falfal falfal afal alfal fal. Os alunos dormem, copiam, viajam, tomam chimarrão. Opa, O que temos ali? Não, nenhum vestígio de água. Perfeccionistas idiotas! Não derramam sequer uma gota d'água. E se eu pousasse na cuia... Será que eles teriam nojo? Ah. Provavelmente eu ficaria presa na erva, e lá se iria minha vida... Não posso correr o risco de morrer antes de descobrir QUE AULA É ESTA! Bom vejamos. O professor (ou o cara que não pára de falar enquanto todos ouvem, resignados) tem cabelo grisalho. Sinal de que é uma matéria bastante tediosa. Ele está de camisa vermelha. Sentado. Respirando. Gesticulando. Falando. Oh! -- Está lendo! Há um daqueles papéis que parecem um monte de zebrinhas. Não consigo ler coisas tão pequenas. Meus olhos enxergam muitos ângulos para isso. É um saco observar as coisas se aproximando e se afastando, se aproximando e se afastando, se afastando e se afastando... Ah, droga. Alguém notou minha presença. Vi olhos me olhando. Oh. Ufa. É um olhar fixo. É um olhar perdido. Das duas uma: ou o cara é um psicopata de moscas, ou está viajando, e, coincidentemente parou o olhar para o lado que eu estou, bem no momento que sem querer também fiz o mesmo. É estranho ver e ser vista...
CANETA VERDE LIMÃO.
Não, não. Estou muito perto da porta. Vão aabriiiiiiiiiii i i i i i i i. Ih. Me deixaram no corredor. Pessoas selvagens não deviam abrir e fechar portas. Ainda bem que há o lugarzinho para entrar perto do Z virado. Olha só! Tem umas coisas escritas aqui na porta. Será o nome da matéria? Há um cartaaz. TTTTTTTTTTTTTT tÊ tÊ T eeeeeee Tê oooh ooo ôôô rrrr ii ih AaaA eêêÊéê qqqqqqcccc cô có cooo nô MmmMm iii kkkkkk Caaaaah. Teoria econômica? Mas o que isso tem a ver com a Identidade Moral? Ah, vá entender esses humanos! Alguém que mate as moscas não pode ser levado a sério.
Vou voltar para a aula-- aaaah. Foi por pouco. Calculei mal o vôo rasante e quase me rasguei toda no vão da porta. O vidro por dentro do buraco é irregular. E o buraco é pequeno: mal consigo passar transversalmente. Deveria ter passado mais devagar. Ah, o importante é que estou sã e salva -- mais salva do que sã -- e do lado de dentro. Espero que na hora que a aula acabar alguém abra a porta e a mantenha aberta para que eu possa ganhar o corredor novamente e ir embora. E se eu tentasse ouvir o que os outros estão dizendo? Não, muito trabalhoso... Eles falam muito rápido. Numa freqüência muito tosca. Além disso, não consigo distinguir o mero farfalhar de folhas (aliás, algo muito constante nessa aula) do som da voz humana em si.... Para mim é tudo a mesma coisa. Tudo são só ruídos inúteis.
Vozes misturadas. Seria o fim da aula? Estamos nos aproximando do fim? Êêêêê! Ah, po... Não é o fim. Voltou a voz tediosa. Que aula bem chata! Se eu que não entendo nada já não agüento mais o cara falando (e a curiosidade de saber de que matéria se trata só aumenta!), imagina a situação de quem deve estar prestando atenção. Deveria. Se é que realmente há alguém nessa situação, porque da última vez que virei para aquele lado, todos estavam com o olhar perdido.
Por que um quadro tem moldura de madeira e outro não? Por que DOIS quadros?
Mais baforadas de ar, mais gente saindo. Dessa vez deu tempo de se preparar. Ruído surdo, trepidar insosso do fechar da porta.. O cara não encerra a aula. Que cara chato! Ihhhh ihhhhhhhh. Oh, não. A menina da caneta verde limão vai embora. Preciso ver aquela cor tão vibrante novamente. É tão... lindo... tão... meigo.... Queria ser dessa cor. Queria chamar a atenção... Ser black é tão sem power.... Ah, o cara do chimarrão voltou (nem percebi que ELE tinha saído, embora tenha sentido uma baforada de ar inadvertida a me desestabilizar no ar). Tio.. tiioo... uma gota d'água por favor. Ué, a cuia está vazia. Droga. Acabou a água. Pô, eu queria. Queria, queria, queria. Bleh. Não gostei dessa sala. Quero ir embora. Unf. Minhas patas estão roçando por causa do giz. O cara não pára de falar. Quero h2o.... H2O Agá DOIS ó...
Peraí...
Dois quadros.
Dois apagadores.
Serão duas aulas? Isso explica a moral no quadro e na porta a economia.
Nãããããão!!!!!!!!!!
A moça da caneta verde limão foi embora :/ Meu mundo acabou. Minha estada aqui não tem mais sentido... Vou me suicidar!
Estou aqui há um tempão e ainda não descobri de que aula se trata...
Não consegui detectar uma só palavra no ar...
Passei um vinte e nove avos de minha inútil existência a analisar o comportamento dos humanos e nada constatei...
Não há mais a caneta verde limão para me guiar..
Estou perdida.
Estou perdida.
Estou peeeeeeeeeeeeeeerddiiiiiiidaaaaaaaaaa....
É fato: não há felicidade nessa sala. Ninguém sorri. A risada anterior foi uma forma de mascarar a realidade. Mascarar o fato de que todos estão muito ocupados consigo mesmos para notar a realidade. Para ME notar. Para notar na realidade. Para me realidade. Para me? Ah, se eu fosse verde limão...!
------ Era para a história ter um final feliz, mas a mosquinha simplesmente se desmaterializou no ar, por puro tédio. Foi assim.. *puf*... E tudo de repente se desfez. Ainda bem que ela vive várias vidas por semana... :) (sabe como é, né... as moscas imaginárias podem tudo!).
Acompanhe a viagem da mosquinha Zizi, que sabe português (já que vive na UCPel :P) e observa tudo o que vê...
Iiiiiii carrra que barrratooo. Entrrei porr um burraco no vidrro da porrta. Porr dentro os vidrros estão pintados de prreto, e num dos quadrrados há um Z de Zorro virrado, riscado de giz. Zzzzz. Z bacana. SSSSS... Éssssse quadrradooooou _/¨¨_/¨¨_/¨¨_/¨¨
Essa sala é meu templo. Um Z na porta (quem se importa que ele esteja virrado?). Estou me sentindo em casa... Bem-vindo à casa da Ziizii. Hihi.
Uouuu... eu vejo tudo centi iiointenta grrrrauss. Oooou. Corrrres. Muitas corrrress. Verrrrrrde. Verrrrmelho desbotaado. Oh, uma caneta verrde limão... Zuuum. Um vôo rasante. Há um ruído constante. Uma voz? Si si si... Só ouço "si". Ahhh... vozes humanas são tão... disformes. De onde vem esse som? Uou. Não é bom voarr depois de cair num copo de cerrrveja. Estou tonta. Zonza. Pirada. Amalucada. Uou. Hihihi. HIC!
Tá.
Chega de me fingir de bêbada.
Cansei de brincar disso :P
A voz vem do quadro verde. Não! Vem da mesa amarela. Não! Não! Vem do homem de vermelho.
Eiiiiiiiiii. Ah cara, quase que ele me acerta. Não sei se sem querer ou intencional. Escapei por um triz. Vou voar por lugares mais tranqüilos.
Eu sou a sala. A sala sou eu. Confusããão. Lala. O que é aquilo branquinho e fofinho? Oh. AAAARRRGHHHHHH! Pó de giz. Cof cof. Voar. Afastar-se. Afastar-se. Blergh, pousei num apagador. Minhas patas estão uma nheca. Água. Ááaáagua. Pô, ninguém está tomando água nessa sala. Bando de seres desidratados. Opaaaa. Chimarrrrão! É meio quente, mas posso ficar nas beiradas, rondando a térmica, e daí de repente o cara deixa escapar um ou duas gotas para eu lavar minhas patinhas :)
Eu também posso ser uma mosca do mau e largar o pó na cabeça das pessoas. Na cabeça do cara que tá falando não tem grrraça. Ele já tem os cabelos da cor do pó de giz. Arrá! E se eu pousar naquele cabelo vermelho? Um ou dois passinhos, em meia frração de segundo, e já me livro desse pó irritante! Se bem que a menina parece tão compenetrada na aulaaaaaaaaa--- dddddd Ah! Rajada de vento idiota! Alguém entrou (ou saiu da aula, sei lá!) e a baforada de ar foi intensa. Restabelecer o equilíbrio. Um...
Oh, uma lixeira. O vento me largou perto de uma lixeira. Será que não tem uma garrafa d'água ali dentro? Um restinho de ááág-- blergh. Bando de alunos inúteis. DESIDRATADOS! Ninguém bota nada no lixo. Ficam guardando suas lembranças inúteis, num desejo absurdo de que o tempo não passe. A vida é curta. 2 semanas para mim são uma eternidade. Com sorte, consigo viver duas vidas. Se com azar, vivo umas 20. Ainda bem que ninguém aqui teve a idéia sacana de me matar. Hi hi hi. Ho ho ho. Cara, minha asma. Hic hic. Não posso rir. Hi hi hi. O cara de vermelho está rindo. Todos rindo. Que som horrendo. Ahhh. Parem, PAREM. Não universidade não se ri! Aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhh!
Hm, que aula é esta? Será que diz algo no quadro? AaAaAAAaaa CCCooooonnnnnsssss tê tttttttt T truuuuuuuuu çSçSÇÇçSs ã na ooo dddddddddd D aaa Iiihh dddentiii ddddd daaa dddddd e emmmm Mmmmmooo oooo raaaaaa áu.. lll A Construção da Identidade Moral? Pô, o assunto é sério. Porque riem? Canalhas. Bastardos. Todos fingem que estão aprendendo, o professor finge que está ensinando, enquanto eu finjo que estou procurando uma saída, finjo estar sem rumo, indo de um lado ao outro, sem a mínima intenção de sair. Eu vejo todos. Eu sinto o cheiro de tudo. Ah. Passei perto de uma pasta e uma menina de cabelo vermelho mexeu no zíper. Estou surda. Aaaah! Um carro velozzzzzzzzzzz. Ah hhh Ahhh. Retumbou em meus ouvidos. Ruídos. Voz constante. Poxa, que aula monótona. Tudo parece mais interessante que a voz do professor. Ele fala, fala, fala, fala. Fala, fala, fala, falfal falfal afal alfal fal. Os alunos dormem, copiam, viajam, tomam chimarrão. Opa, O que temos ali? Não, nenhum vestígio de água. Perfeccionistas idiotas! Não derramam sequer uma gota d'água. E se eu pousasse na cuia... Será que eles teriam nojo? Ah. Provavelmente eu ficaria presa na erva, e lá se iria minha vida... Não posso correr o risco de morrer antes de descobrir QUE AULA É ESTA! Bom vejamos. O professor (ou o cara que não pára de falar enquanto todos ouvem, resignados) tem cabelo grisalho. Sinal de que é uma matéria bastante tediosa. Ele está de camisa vermelha. Sentado. Respirando. Gesticulando. Falando. Oh! -- Está lendo! Há um daqueles papéis que parecem um monte de zebrinhas. Não consigo ler coisas tão pequenas. Meus olhos enxergam muitos ângulos para isso. É um saco observar as coisas se aproximando e se afastando, se aproximando e se afastando, se afastando e se afastando... Ah, droga. Alguém notou minha presença. Vi olhos me olhando. Oh. Ufa. É um olhar fixo. É um olhar perdido. Das duas uma: ou o cara é um psicopata de moscas, ou está viajando, e, coincidentemente parou o olhar para o lado que eu estou, bem no momento que sem querer também fiz o mesmo. É estranho ver e ser vista...
CANETA VERDE LIMÃO.
Não, não. Estou muito perto da porta. Vão aabriiiiiiiiiii i i i i i i i. Ih. Me deixaram no corredor. Pessoas selvagens não deviam abrir e fechar portas. Ainda bem que há o lugarzinho para entrar perto do Z virado. Olha só! Tem umas coisas escritas aqui na porta. Será o nome da matéria? Há um cartaaz. TTTTTTTTTTTTTT tÊ tÊ T eeeeeee Tê oooh ooo ôôô rrrr ii ih AaaA eêêÊéê qqqqqqcccc cô có cooo nô MmmMm iii kkkkkk Caaaaah. Teoria econômica? Mas o que isso tem a ver com a Identidade Moral? Ah, vá entender esses humanos! Alguém que mate as moscas não pode ser levado a sério.
Vou voltar para a aula-- aaaah. Foi por pouco. Calculei mal o vôo rasante e quase me rasguei toda no vão da porta. O vidro por dentro do buraco é irregular. E o buraco é pequeno: mal consigo passar transversalmente. Deveria ter passado mais devagar. Ah, o importante é que estou sã e salva -- mais salva do que sã -- e do lado de dentro. Espero que na hora que a aula acabar alguém abra a porta e a mantenha aberta para que eu possa ganhar o corredor novamente e ir embora. E se eu tentasse ouvir o que os outros estão dizendo? Não, muito trabalhoso... Eles falam muito rápido. Numa freqüência muito tosca. Além disso, não consigo distinguir o mero farfalhar de folhas (aliás, algo muito constante nessa aula) do som da voz humana em si.... Para mim é tudo a mesma coisa. Tudo são só ruídos inúteis.
Vozes misturadas. Seria o fim da aula? Estamos nos aproximando do fim? Êêêêê! Ah, po... Não é o fim. Voltou a voz tediosa. Que aula bem chata! Se eu que não entendo nada já não agüento mais o cara falando (e a curiosidade de saber de que matéria se trata só aumenta!), imagina a situação de quem deve estar prestando atenção. Deveria. Se é que realmente há alguém nessa situação, porque da última vez que virei para aquele lado, todos estavam com o olhar perdido.
Por que um quadro tem moldura de madeira e outro não? Por que DOIS quadros?
Mais baforadas de ar, mais gente saindo. Dessa vez deu tempo de se preparar. Ruído surdo, trepidar insosso do fechar da porta.. O cara não encerra a aula. Que cara chato! Ihhhh ihhhhhhhh. Oh, não. A menina da caneta verde limão vai embora. Preciso ver aquela cor tão vibrante novamente. É tão... lindo... tão... meigo.... Queria ser dessa cor. Queria chamar a atenção... Ser black é tão sem power.... Ah, o cara do chimarrão voltou (nem percebi que ELE tinha saído, embora tenha sentido uma baforada de ar inadvertida a me desestabilizar no ar). Tio.. tiioo... uma gota d'água por favor. Ué, a cuia está vazia. Droga. Acabou a água. Pô, eu queria. Queria, queria, queria. Bleh. Não gostei dessa sala. Quero ir embora. Unf. Minhas patas estão roçando por causa do giz. O cara não pára de falar. Quero h2o.... H2O Agá DOIS ó...
Peraí...
Dois quadros.
Dois apagadores.
Serão duas aulas? Isso explica a moral no quadro e na porta a economia.
Nãããããão!!!!!!!!!!
A moça da caneta verde limão foi embora :/ Meu mundo acabou. Minha estada aqui não tem mais sentido... Vou me suicidar!
Estou aqui há um tempão e ainda não descobri de que aula se trata...
Não consegui detectar uma só palavra no ar...
Passei um vinte e nove avos de minha inútil existência a analisar o comportamento dos humanos e nada constatei...
Não há mais a caneta verde limão para me guiar..
Estou perdida.
Estou perdida.
Estou peeeeeeeeeeeeeeerddiiiiiiidaaaaaaaaaa....
É fato: não há felicidade nessa sala. Ninguém sorri. A risada anterior foi uma forma de mascarar a realidade. Mascarar o fato de que todos estão muito ocupados consigo mesmos para notar a realidade. Para ME notar. Para notar na realidade. Para me realidade. Para me? Ah, se eu fosse verde limão...!
------ Era para a história ter um final feliz, mas a mosquinha simplesmente se desmaterializou no ar, por puro tédio. Foi assim.. *puf*... E tudo de repente se desfez. Ainda bem que ela vive várias vidas por semana... :) (sabe como é, né... as moscas imaginárias podem tudo!).


